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Mostrando postagens com o rótulo Filosofia da Educação

Série - Boas práticas - UA Filosofia, Educação e Sociedade

  Conscientização e Autonomia ou Reprodução Capitalista, Eis a Questão     Alexandre Antonio Bruno da Silva [1]   Meu pai não tinha educação. Ainda me lembro era um grande coração. Ganhava a vida com muito suor. E mesmo assim não podia ser pior. (..) Meu pai cuidava de toda a família. Sem perceber segui a mesma trilha. (..) Marvin, a vida é pra valer. Eu fiz o meu melhor. E o seu destino eu sei de cor. (REIS, 1984)     1.    Introdução O trecho da música, em epígrafe, embalou boa parte dos anos 1980 e 1990. Mesmo atualmente, não é raro ouvir os seus acordes e a sua letra pelas ondas do rádio. Ela, apesar de ser uma versão de uma música norte-americana, não fosse pela “E então um dia uma forte chuva veio” poderia muito bem retratar a vida no sertão nordestino. Afinal, “miséria é miséria em qualquer parte, riqueza são diferentes” (ARNALDO; MIKLOS; BRITTO, 1989). Lendo sobre a obra de Paulo Freire, observa-se que o primeiro experi...

Reflexões sobre a BNCC

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  A Base Nacional Comum Curricular ( BNCC ) é o documento que estabelece os novos alicerces para a educação básica no Brasil. Trata-se de um "documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica", segundo o site do MEC. A novidade mais significativa é a proposta de reorientação dos currículos das escolas públicas por meio do estabelecimento de um grupo de competências e habilidades voltadas para uma educação integral. Na semana passada as escolas estaduais de Santa Catarina tiveram uma parada pedagógica destinada ao estudo e discussão deste documento, como etapa preparatória para a futura estruturação de um novo currículo.  Gravei em vídeo algumas reflexões pessoais sobre o tema:  A primeira parte trata de uma inversão significativa no cenário das tentativas de inovação da educação pública. A...

Freire e as novas feições da Hegemonia cultural

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A s contribuições de Paulo Freire não só à pedagogia, mas ao Ser do educador serão sempre de grande valor. "Ensinar exige estética e ética"; "Ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo"( Pedagogia da Autonomia ). Estes e muitos outros são ensinamentos preciosos e atemporais. Mas é preciso levar em conta o contexto histórico no qual Freire escreveu seus livros e concebeu seu pensamento, justamente para compreender nosso próprio contexto e adaptar o que for preciso.  Penso que justamente esta recontextualização do pensamento freireano em relação ao momento atual é um grande campo de pesquisa em filosofia da educação. Em 2015 gravei algumas anotações em vídeo sobre isso:   https://youtu.be/rHB1M9Bwa9o E seguem aqui mais alguns comentários sobre o conteúdo do vídeo: Diferente da época de Freire, não há mais a preocupação em "esconder" uma educação crítica das classes menos favorecidas. Isso não é mais perigoso. Naquel...

Aprendendo com Freire

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U ma coisa que APRENDI com Paulo Freire (No sentido integral, onde real aprendizado leva a uma mudança de comportamento) e estou de algum modo conseguindo colocar em prática é o exercício de enxergar o aluno como próximo, como companheiro da aventura da aprendizagem e não como "material de trabalho". Transcender a dicotomia professor-aluno, que representa um aspecto particular de uma dicotomia mais fundamental entre sujeito e objeto, é de fato um desafio; mas que depende mais e mim, da porta da sala de aula para dentro. É algo que se pratica dia a dia, em cada fala, em cada confronto, provocação ou risada.  Uma coisa que aprendi com Paulo Freire, mas que ainda não sou capaz de colocar em prática é a proposta de uma educação onde o educando comece a tornar-se co-autor de sua própria educação. Onde o próprio aluno (oprimido) comece a tomar consciência da sua passividade frente ao sistema educacional (opressor) e da possibilidade de superação desta passividade a partir de atitud...

O "modo escola"

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F requentemente me ocorre que, em nossa sociedade contemporânea, a escola há muito tempo deixou de ser o lugar de aprender para converter-se simplesmente no lugar de formatar e moldar o sujeito para as regras do jogo. No campo teórico, essa perspectiva foi levantada inicialmente por Marx e desenvolvida por seus seguidores, como Louis Althusser, para quem a escola figurava como um "Aparelho ideológico do Estado". Entretanto, os tempos são outros e a complexidade do momento em que vivemos não se deixa apreender pelos dualismos (burguesia-proletariado; direita-esquerda) nem pelas já cansadas, mas sempre presentes, teorias da conspiração. Se a escola continua a moldar indivíduos para seus papeis sociais, ajudando a manter o status quo , isso certamente não é planejado por grandes vilões mal intencionados e seus planos diabólicos. Antes, tudo se passa de forma muito mais sutil e automática. Aula após aula, matéria após matéria, sinal após sinal...Para boa parte dos alunos, trata-s...