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Mostrando postagens com o rótulo Filosofia na Escola Pública

Como ensino filosofia? # 26 - 4a temporada_introdução

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  O desejo antigo de compartilhar minhas experiências com o ensino de filosofia na escola pública se transformou em atitude a partir de janeiro de 2018, quando comecei a produzir os vídeos e conteúdos desta websérie “Como ensino filosofia?”. Aproveitando um tempo livre aqui e ali, o material foi tomando corpo devagar, até ser lançado no mês de agosto. De lá para cá são 25 episódios, um por semana, tentando refletir sobre diferente aspectos do ensino de filosofia no nível médio.    Agora, nesta quarta temporada, chegou o momento de elaborar uma autocrítica pensando em ir mais além dos limites, a partir da realidade que se apresenta. Começo com a dura tarefa de refletir criticamente sobre o ensino escolar como um todo e vamos ver onde isso vai parar! Acompanhe o projeto "Como ensino filosofia?". Toda quinta um novo conteúdo :)

Como ensino filosofia? # 25 - Perguntar o por quê

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  Lamentavelmente, a forma e estrutura do ensino escolar continua a favorecer a ilusão de que o conhecimento humano é um todo completo e bem acabado a ser aprendido pelos alunos. Em vez de ajudar as crianças e jovens a se reconhecerem como parte de uma cadeia de mentes inquietas e curiosas sondando o grande mistério que é a vida na Terra, tendemos a colocá-las como receptáculo de uma produto pronto; como meros espectadores de descobertas já feitas.   Neste contexto, a filosofia no ensino médio representa uma chance de desconstrução dessa entediante miragem epistemológica. Mas é preciso lutar contra a passividade que já se estabeleceu na maioria dos alunos através de anos de educação formal. É aí que o hábito de duvidar precisa ser estimulado em sala de aula. Eu tento fazer isso de diferentes formas. Uma delas é estabelecer o hábito de pedir uma justificativa acerca dos pensamentos de meus alunos. Ou seja, sempre que alguém comenta algo, responde a uma pergunta ou faz u...

Como ensino filosofia # 14 - Entregando as provas

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  Eu ainda pretendo discutir criticamente sobre o papel das avaliações na educação escolar, mas esta é uma tarefa para uma próxima fase desta série. Por hora, estou partindo do ensino como ele está dado, dia após dia na rotina da maioria das escolas. E neste contexto, o momento da entrega das provas é uma situação de ansiedade para muitos alunos e frustração para outros.   Se imagine recebendo uma prova com uma nota bem baixa. Imagine que esta prova nem lhe foi entregue pelo próprio professor, mas por um colega que ficou incumbido desta tarefa. A correção em vermelho apenas assinala com um x que algumas respostas estão erradas; nem um comentário escrito, nem um comentário verbal ou sequer um olhar. Neste caso, obviamente o aprendizado através deste instrumento de avaliação não se dará pelo reforço positivo a uma resposta correta. A prova sinaliza que as respostas não estão bem e o aprendizado está condicionado então ao momento da correção da prova pelo professor. Presta...

Como ensino filosofia? # 8 - O currículo I / segundo ano

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  Segue o link para minhas aulas de filosofia do segundo ano do ensino médio: https://docs.google.com/document/d/12zzSVybbZEImP8nmowjXekwZQhUYdIxIcie9flBcC4k/edit?usp=sharing   Uma mudança importante do primeiro para o segundo ano do ensino médio é o aumento do número de aulas, que passam de uma para duas aulas semanais. Com duas aulas já é possível desenvolver bem mais não apenas os conteúdos, mas também a dinâmica das aulas.    Particularmente, me importa tentar subverter, na medida do possível, a grande correria que se passa na escola. Assim, aproveito as duas aulas para conversar mais com meus alunos, ter tempo de chegar em sala, criar o ambiente de escuta, retomar o que estamos fazendo e então seguir em frente. Manter a quantidade de avaliações no mínimo possível é outra estratégia que vou abordar em uma postagem futura.   A ideia de construir com os alunos uma “caixa de ferramentas” conceituais funcionou bem como uma forma de retomar conteúdos ...

Como ensino filosofia? #4 - Ensinamos o que aprendemos II

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  Por que mesmo chegando à escola com o intuito de fazer uma educação diferente (e com uma formação razoavelmente suficiente para tal) eu acabei chegando a um plano de ensino tradicional?   Retomando a ideia inicial do título desse post , o vídeo ensaia uma resposta: Ideias e intenções são, sem dúvida, uma parte fundamental para a transformação do ensino. Mas não são tudo. Quando “a coisa aperta” e nos vemos obrigados a conduzir diversas turmas por dia,tendemos a deixar as teorias de lado e reproduzir ações e comportamentos. Isso vale para o aspecto disciplinar, de manter a ordem, mas vale também para a questão do andamento das atividades de aprendizagem, que precisam ter um destino certo: notas registradas em um diário de classe.   Em meu caso, mesmo desde o início me esforçando para não reproduzir o comportamento autoritário, em relação à disciplina na sala de aula, acabei reproduzindo sem perceber outras ações que marcaram a minha vivência enquanto aluno e que ...

Projeto "Como ensino filosofia?" / Abertura

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Olá! Conforme o vídeo de abertura acima, com este projeto “como ensino filosofia?” minha intenção é trazer a realidade das salas de aulas e do cotidiano de uma escola pública para aqueles que se interessam pelo ensino de filosofia e por filosofia da educação. Trata-se de uma série de postagens onde pretendo compartilhar algumas experiências, reflexões e técnicas que venho desenvolvendo para o ensino de filosofia no nível médio, ao longo dos últimos seis anos. A série está dividia, por hora, em três partes: 1 - Introdução: Primeiros passos da prática de ensino 2 - O "currículo I" : Os conteúdos que ensino 3 - Práticas de ensino: Técnicas e princípios gerais do meu ensino de filosofia. Interessou? Não perca! Toda quinta-feira um novo vídeo em meu canal do You Tube https://www.youtube.com/channel/UCcvV5hma6Nf9sZIsnBaMfAA?view_as=subscriber (E as anotações e reflexões complementares aqui no Blog de Filosofia da Unisul Virtual)

A educação como um circuito

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A prender e ensinar não são coisas distintas. Isso já foi abordado com maestria por Freire: "Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que o conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender." (Pedagogia da autonomia, 1996,p.27) Obviamente isso é verdade para o ato autêntico de ensinar/aprender, o que não exclui a possibilidade de uma alienação deste ato; precisamente aquilo que o próprio Freire denominou de "ensino bancário." E não é esta a realidade da escola ainda hoje? E como profissionais que atuam na escola, em maior ou menos medida nos deixamos arrastar por esta tendência.  É bastante comum que o ensino do professor em sala de aula se cristalize em um ato unidirecional e automático. Um ensinar que, sendo sempre o mesmo, não traz nada de aprendizado para quem o ministra. Um ensinar que se enferrujou nos mesmos exemplos, no exce...

Reflexões sobre a BNCC

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  A Base Nacional Comum Curricular ( BNCC ) é o documento que estabelece os novos alicerces para a educação básica no Brasil. Trata-se de um "documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica", segundo o site do MEC. A novidade mais significativa é a proposta de reorientação dos currículos das escolas públicas por meio do estabelecimento de um grupo de competências e habilidades voltadas para uma educação integral. Na semana passada as escolas estaduais de Santa Catarina tiveram uma parada pedagógica destinada ao estudo e discussão deste documento, como etapa preparatória para a futura estruturação de um novo currículo.  Gravei em vídeo algumas reflexões pessoais sobre o tema:  A primeira parte trata de uma inversão significativa no cenário das tentativas de inovação da educação pública. A...

Dias e dias

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S abe aquele antigo vídeo clip do Pink Floyd em que a escola é representada como uma esteira rolante na qual crianças com caras de boneco são conduzidas a um sinistro moedor, resultando dali uma massa uniforme?   Pois então, meu emprego na escola pública é "operador de esteira". E, semana após semana, enquanto vou ajudando a operar a imensa máquina fic o sonhando com o dia em que os meninos e meninas vão despertar, decidir deixar de ser apenas mais um tijolo no muro e acabar me jogando no fogo junto com os escombros. Em verdade, eu tenho trabalhado para isso, sendo "no centro da própria engrenagem a contra-mola que resiste" - Primavera nos dentes Porém, enquanto opero a esteira e alimento o sonho, também sei que todo esse movimento foi só um sonho na cabeça do menino revoltado em sua sala de aula, enquanto tudo segue como antes. E sei que o menino era eu...também.

Bom dia

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  T odos nos queixamos da insensibilidade do mundo e da correria do dia a dia. Elas se fazem sentir a todo momento, no trânsito, no trabalho, nas pequenas interações do cotidiano.    A escola, sem dúvida, não escapa dessa regra. O sinal sonoro marcando o início e o fim de cada aula deixa bem claro e nos lembra que não há tempo para muita espontaneidade. E nesse ritmo a escola reproduz o ritmo do mundo.     Mas muitas vezes nos esquecemos que a realidade não é um dado externo e independente de nós; ela está aberta, passível de ser modificada a todo momento. Ela é construída coletivamente e, portanto, sensível à nossa interação.   Como um observador constante do ambiente escolar, notei Um detalhe curioso: Quase sem exceção, os professores, ao adentrar à escola passam pelos alunos como se não os vissem. Estes, por sua vez, tampouco esperam qualquer interação com os mestres diferente daquela que se processa no interior...

Arbitrariedades institucionais

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   A docência não se faz somente dentro de sala de aula. O encontro diário entre educador e educandos é a ponta final de um processo bem maior que envolve estudo, preparação, criatividade e reflexão crítica sobre a própria prática. Nas palavras de Paulo Freire: "A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer." ( Pedagogia da Autonomia , 1.8) Obviamente, boa parte dessa tarefa se faz fora da escola, juntamente com correções de provas, formulações de avaliações e toda a burocracia de notas, faltas e registros de conteúdos. Isso para não falar no planejamento conjunto das atividades da escola como um todo, como dias festivos, projetos, feira de ciências, etc. É por isso que se pode afirmar que há uma especificidade no trabalho do professor, a partir da qual se considera que 1/3 de sua jornada de trabalho deva ser destinada a atividades extra-classe. Isso é lei (Lei n° 11.738/2008...

Freire e as novas feições da Hegemonia cultural

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A s contribuições de Paulo Freire não só à pedagogia, mas ao Ser do educador serão sempre de grande valor. "Ensinar exige estética e ética"; "Ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo"( Pedagogia da Autonomia ). Estes e muitos outros são ensinamentos preciosos e atemporais. Mas é preciso levar em conta o contexto histórico no qual Freire escreveu seus livros e concebeu seu pensamento, justamente para compreender nosso próprio contexto e adaptar o que for preciso.  Penso que justamente esta recontextualização do pensamento freireano em relação ao momento atual é um grande campo de pesquisa em filosofia da educação. Em 2015 gravei algumas anotações em vídeo sobre isso:   https://youtu.be/rHB1M9Bwa9o E seguem aqui mais alguns comentários sobre o conteúdo do vídeo: Diferente da época de Freire, não há mais a preocupação em "esconder" uma educação crítica das classes menos favorecidas. Isso não é mais perigoso. Naquel...

Para uma boa atuação em sala de aula

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S er um bom professor não se resume a ter um bom método, ou dominar o conteúdo. No cotidiano da escola, uma grande aula depende de um feixe de elementos distintos, cujas possibilidades de combinação são múltiplas e que muitas vezes vai além daquilo que podemos controlar. Quando todos estes elementos confluem, temos uma atuação não só boa, mas excelente. E que elementos são estes? A meu ver, são pelo menos 6: Um método - sem dúvida, a ação pedagógica deve partir de uma intuição sobre como fazer. Mesmo a aula mais livre, que dependa totalmente  da interação dos alunos, sustenta o método de guiar-se pelas interações dos alunos e ver o que ocorre. Métodos podem e devem ser testados. Cada aula nos permite observar o funcionamento de uma metodologia e refiná-la aos poucos. O conteúdo - obviamente, o que se ensina afeta diretamente o educando, desperta maior ou menos afinidade, pois cada um é único. Mas também o esforço por encontrar conteúdos pertinentes faz parte da aproximação educad...

Outra crônica sobre a compreensão

Saudações!   Tentando retomar as postagens aqui no Blog com o projeto Filosofia n a escola pública , segue mais um breve registro sobre o tema da comunicação e da compreensão no dia a dia em sala de aula. Para entender o contexto do vídeo: Seguem os links dos dois vídeos citados na narração. José Saramago - Democracia sequestrada https://youtu.be/LbsV_rP6zY0 The history of Broke https://youtu.be/S0UpXDC5SJw Eles fazem parte do meu conteúdo relativo à democracia, para o segundo ano do ensino médio.  (será que passa no "Escola sem partido?") 👀

Aprendendo com Freire

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U ma coisa que APRENDI com Paulo Freire (No sentido integral, onde real aprendizado leva a uma mudança de comportamento) e estou de algum modo conseguindo colocar em prática é o exercício de enxergar o aluno como próximo, como companheiro da aventura da aprendizagem e não como "material de trabalho". Transcender a dicotomia professor-aluno, que representa um aspecto particular de uma dicotomia mais fundamental entre sujeito e objeto, é de fato um desafio; mas que depende mais e mim, da porta da sala de aula para dentro. É algo que se pratica dia a dia, em cada fala, em cada confronto, provocação ou risada.  Uma coisa que aprendi com Paulo Freire, mas que ainda não sou capaz de colocar em prática é a proposta de uma educação onde o educando comece a tornar-se co-autor de sua própria educação. Onde o próprio aluno (oprimido) comece a tomar consciência da sua passividade frente ao sistema educacional (opressor) e da possibilidade de superação desta passividade a partir de atitud...

O "modo escola"

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F requentemente me ocorre que, em nossa sociedade contemporânea, a escola há muito tempo deixou de ser o lugar de aprender para converter-se simplesmente no lugar de formatar e moldar o sujeito para as regras do jogo. No campo teórico, essa perspectiva foi levantada inicialmente por Marx e desenvolvida por seus seguidores, como Louis Althusser, para quem a escola figurava como um "Aparelho ideológico do Estado". Entretanto, os tempos são outros e a complexidade do momento em que vivemos não se deixa apreender pelos dualismos (burguesia-proletariado; direita-esquerda) nem pelas já cansadas, mas sempre presentes, teorias da conspiração. Se a escola continua a moldar indivíduos para seus papeis sociais, ajudando a manter o status quo , isso certamente não é planejado por grandes vilões mal intencionados e seus planos diabólicos. Antes, tudo se passa de forma muito mais sutil e automática. Aula após aula, matéria após matéria, sinal após sinal...Para boa parte dos alunos, trata-s...

Sociedade disciplinar e sociedade de controle

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A s sociedades disciplinares atingiram seu apogeu no início do século XX. Em uma sociedade disciplinar o indivíduo não cessa de passar de um espaço fechado a outro, cada um com suas leis: primeiro a família, depois a escola, o exército, a fábrica e eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência. Mas segundo Deleuse (1992, p.129), após a segunda guerra mundial as sociedades disciplinares entraram em uma crise generalizada, convertendo-se em sociedades de controle. Ao contrário das sociedades disciplinares que moldavam os indivíduos distintamente pelas instituições de confinamento, nas sociedades de controle, os indivíduos passam por um processo contínuo de modulação e são controlados por meio de senhas de acesso, câmeras, cartões, etc. São agora os procedimentos e a burocracia que nos disciplinam a agir conforme o esperado. De fato, vivemos em uma sociedade "livre", onde ninguém nos força a nada, mas estamos todos cada vez mais sem tempo para fazer esc...

Uma crônica sobre a compreensão

U m erro muito comum ao ensinar é subestimar aquilo que o aluno não sabe. Me parece que boa parte da incompreensão em sala de aula tem origem no fato de o professor pressupor conceitos, ideias e regras que o aluno já deveria saber para estar naquela   série. E quando detectamos esses lapsos, nossa reação de surpresa, espanto e até mesmo indignação ("Mas como vc não sabe isso!!?) tende a fechar muitas portas na comunicação educador-educando. O relato do vídeo a seguir (dezembro de 2014) nos leva a pensar sobre qual o ponto de partida para uma relação realmente produtiva de conhecimento e o tempo e dedicação que isso demanda. A esse respeito venho tentando praticar uma postura de abertura e boa vontade diante de qualquer coisa que um aluno não saiba, independente de sua idade ou posição; sem juízos de valor.  "Não sabe, vamos aprender."  Infelizmente a dura rotina do sinal sonoro, das avaliações e notas não nos deixa muito tempo para brincar de aprender. Já di...

Revolução no papel

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Quando comecei a estudar com mais calma documentos oficiais sobre a educação, como os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) e versões anteriores da Proposta Curricular de Santa Catarina (1998), fiquei bastante surpreso. Em termos de concepção teórica, temos ali perspectivas bastante avançadas sobre educação. Não se pode dizer, neste sentido teórico (do que está no papel), que o ensino estadual sustenta uma postura retrógrada. Por exemplo:    Há, portanto, uma relação do conhecimento considerado mais legítimo em cada tempo, com o poder. Assim, quanto mais esse conhecimento estiver concentrado nas mãos de poucos, maior é a possibilidade de esses poucos controlarem pacificamente a maioria; quanto mais, porém, esse conhecimento for socializado, maior a possibilidade de conquista ou do controle do poder pela maioria. Gramsci (1989) chama atenção para a necessidade de as camadas populares terem acesso ao conhecimento próprio da camada dominante da sociedade para se tornare...