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Bom dia

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  T odos nos queixamos da insensibilidade do mundo e da correria do dia a dia. Elas se fazem sentir a todo momento, no trânsito, no trabalho, nas pequenas interações do cotidiano.    A escola, sem dúvida, não escapa dessa regra. O sinal sonoro marcando o início e o fim de cada aula deixa bem claro e nos lembra que não há tempo para muita espontaneidade. E nesse ritmo a escola reproduz o ritmo do mundo.     Mas muitas vezes nos esquecemos que a realidade não é um dado externo e independente de nós; ela está aberta, passível de ser modificada a todo momento. Ela é construída coletivamente e, portanto, sensível à nossa interação.   Como um observador constante do ambiente escolar, notei Um detalhe curioso: Quase sem exceção, os professores, ao adentrar à escola passam pelos alunos como se não os vissem. Estes, por sua vez, tampouco esperam qualquer interação com os mestres diferente daquela que se processa no interior...

Arbitrariedades institucionais

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   A docência não se faz somente dentro de sala de aula. O encontro diário entre educador e educandos é a ponta final de um processo bem maior que envolve estudo, preparação, criatividade e reflexão crítica sobre a própria prática. Nas palavras de Paulo Freire: "A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer." ( Pedagogia da Autonomia , 1.8) Obviamente, boa parte dessa tarefa se faz fora da escola, juntamente com correções de provas, formulações de avaliações e toda a burocracia de notas, faltas e registros de conteúdos. Isso para não falar no planejamento conjunto das atividades da escola como um todo, como dias festivos, projetos, feira de ciências, etc. É por isso que se pode afirmar que há uma especificidade no trabalho do professor, a partir da qual se considera que 1/3 de sua jornada de trabalho deva ser destinada a atividades extra-classe. Isso é lei (Lei n° 11.738/2008...

Afinal, o que torna o homem um ser possuidor de humanidade?

Eis mais um ensaio produzido na UA Reflexões sobre o Homem na Filosofia. Afinal, o que torna o homem um ser possuidor de humanidade? Flávia O. Alvim [1] O cinema estadunidense tem proporcionado ao grande púbico, a oportunidade de oferecer uma reflexão acerca da nossa própria condição, enquanto seres pensantes, existenciais, intersubjetivos e puramente humanos. Reconhecendo a importância do cinema para a análise sobre o ser humano condicionado ao existir, analisaremos dois filmes intitulados O homem bicentenário (1999) do diretor Chris Columbus e o A. I. – Inteligência artificial (2001) do diretor Steven Spielberg. Ambos discutem a respeito de seres artificiais que apresentam características tipicamente humanas. Além de apontar os principais elementos constitutivos de tais produções cinematográficas referidas, utilizaremos como fio condutor de nossa análise antropológica-filosófica, os breves pensamentos dos filósofos Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre sobre a condição do ...

Esclarecimento como condição para uma liberdade consciente, por Eric de Souza Pires

Na Unidade de aprendizagem "Reflexão sobre o Homem na Filosofia", propus uma reflexão que tomasse alguns filmes previamente listados e algumas concepções antropológico-filosófica, Estou estimulando a publicação neste espaço de alguns dos ensaios produzidos. Eis o primeiro. Esclarecimento como condição para uma liberdade consciente Eric de Souza Pires [1]                                                                                                           ...

Freire e as novas feições da Hegemonia cultural

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A s contribuições de Paulo Freire não só à pedagogia, mas ao Ser do educador serão sempre de grande valor. "Ensinar exige estética e ética"; "Ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo"( Pedagogia da Autonomia ). Estes e muitos outros são ensinamentos preciosos e atemporais. Mas é preciso levar em conta o contexto histórico no qual Freire escreveu seus livros e concebeu seu pensamento, justamente para compreender nosso próprio contexto e adaptar o que for preciso.  Penso que justamente esta recontextualização do pensamento freireano em relação ao momento atual é um grande campo de pesquisa em filosofia da educação. Em 2015 gravei algumas anotações em vídeo sobre isso:   https://youtu.be/rHB1M9Bwa9o E seguem aqui mais alguns comentários sobre o conteúdo do vídeo: Diferente da época de Freire, não há mais a preocupação em "esconder" uma educação crítica das classes menos favorecidas. Isso não é mais perigoso. Naquel...
Revisitando escritos. Este ensaio é resultante de uma comunicação apresentada no VII Seminário Nacional Mulher e Literatura , em 24 de setembro de 1997, na Universidade Federal Fluminense – UFF.  E teve como objetivo apresentar um certo aspecto de minha dissertação de Mestrado, Balada Embalante . As figuras femininas na fase mística de Plínio Marcos Partindo do entendimento da fase mística — Madame Blavatsky , Jesus-Homem e Balada de um palhaço — de Plínio Marcos como uma mudança de foco , que passa do diálogo ao espetáculo — indicadora não de uma descontinuidade ou de uma degeneração, mas sim de uma positividade dramática de caráter propedêutico —, construímos uma análise das figuras femininas dessa fase. Num primeiro momento, centramos nossa análise na figura da cigana — que aparece tanto em Balada de um palhaço como em Madame Blavatsky — para então analisarmos outras personagens estabelecendo relações de continuidade. Balada narra a trajetória de um palhaç...