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Manifesto contra a imortalidade

Eis um texto produzido para a UA "Cenários futuros" que tem aspectos importantes para pensarmos  o uso de avanços científicos. Manifesto contra a imortalidade [1] Eric de Souza Pires [2] Do aparentemente distante ano de 2278, escrevo estas palavras com a esperança de que em breve estarei transmitindo pessoalmente meu alerta a vocês: é preciso frear a absurda ambição de cientistas e de todos aqueles que, nos ingênuos anos do século XXI, começaram a tornar possível a imortalidade do corpo físico. Digo isso porque depois de termos vencido a morte, estamos na iminência de dominar o tempo e, tão logo voltar ao passado deixe de ser tema de ficção e se torne realidade, pretendo ir até vocês para convencê-los de que não vale à pena subverter determinadas leis estabelecidas pela natureza. A imortalidade, dom que o homem sempre almejou desde a época em que ainda adorávamos os deuses da Antiguidade, transformou-se na causa da grande catástrofe que atualmente assola a humanida...

Sobre a greve, direitos e privilégios

Segue uma breve reflexão sobre nosso momento histórico, a partir da questão da greve dos caminhoneiros e suas possíveis soluções. (texto originalmente postado em minha página do facebook - peço desculpas pelo caráter informal) Eu penso que esse é um momento no qual é preciso que todos nós entendamos o significado da palavra austeridade, como dificuldades que aceitamos voluntariamente em nome de algo maior. Nessa semana que começa precisamos urgentemente aguentar firme, manter nosso apoio à greve dos caminhoneiros e nossa atenção às saídas ilusórias que o governo possa propor para "resolver" a situação. É claro que há narrativas extremamente divergentes sobre o cenário político e como chegamos até aqui. Mas o fato é que,eu, você, todos nós nos encontramos juntos aqui agora, num daqueles instantes da história capaz de nos tirar em bloco de nossa zona de conforto. Coisas assim não podem ser desperdiçadas. Neste momento não pode haver direita, esquerda ou centro. Devem hav...

Inquietações sobre sociedade e cidadania, desejo e violência

Por Marciel Evangelista Cataneo* e Anderson da Silveira** Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) Este ensaio é registro textual de uma conversa entre os autores, durante a qual partilharam leituras e visões de mundo, do desafio de ser humano e do contexto social atual. Nas linhas que seguem, buscou-se problematizar as noções de desejo e violência que circulam nos discursos contemporâneos. No contexto político-econômico da sociedade de consumo – marcadamente individualista –, a reflexão sobre as possibilidades do estabelecimento de uma vida em sociedade, onde a cidadania seja respeitada, torna-se imperativa. Diante deste cenário, considera-se que a cidadania será possível quando desejarmos, acima de tudo, ser cidadão entre os outros. Introdução  Vivemos em uma sociedade onde o desejo é algo que deve ser saciado de maneira imediata. A cultura do consumismo se impõe. Cresce o individualismo, e a exacerbação dos próprios interesses se sobrepõe aos interesses da coletivida...

A educação como um circuito

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A prender e ensinar não são coisas distintas. Isso já foi abordado com maestria por Freire: "Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que o conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender." (Pedagogia da autonomia, 1996,p.27) Obviamente isso é verdade para o ato autêntico de ensinar/aprender, o que não exclui a possibilidade de uma alienação deste ato; precisamente aquilo que o próprio Freire denominou de "ensino bancário." E não é esta a realidade da escola ainda hoje? E como profissionais que atuam na escola, em maior ou menos medida nos deixamos arrastar por esta tendência.  É bastante comum que o ensino do professor em sala de aula se cristalize em um ato unidirecional e automático. Um ensinar que, sendo sempre o mesmo, não traz nada de aprendizado para quem o ministra. Um ensinar que se enferrujou nos mesmos exemplos, no exce...

Reflexões sobre a BNCC

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  A Base Nacional Comum Curricular ( BNCC ) é o documento que estabelece os novos alicerces para a educação básica no Brasil. Trata-se de um "documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica", segundo o site do MEC. A novidade mais significativa é a proposta de reorientação dos currículos das escolas públicas por meio do estabelecimento de um grupo de competências e habilidades voltadas para uma educação integral. Na semana passada as escolas estaduais de Santa Catarina tiveram uma parada pedagógica destinada ao estudo e discussão deste documento, como etapa preparatória para a futura estruturação de um novo currículo.  Gravei em vídeo algumas reflexões pessoais sobre o tema:  A primeira parte trata de uma inversão significativa no cenário das tentativas de inovação da educação pública. A...

Dias e dias

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S abe aquele antigo vídeo clip do Pink Floyd em que a escola é representada como uma esteira rolante na qual crianças com caras de boneco são conduzidas a um sinistro moedor, resultando dali uma massa uniforme?   Pois então, meu emprego na escola pública é "operador de esteira". E, semana após semana, enquanto vou ajudando a operar a imensa máquina fic o sonhando com o dia em que os meninos e meninas vão despertar, decidir deixar de ser apenas mais um tijolo no muro e acabar me jogando no fogo junto com os escombros. Em verdade, eu tenho trabalhado para isso, sendo "no centro da própria engrenagem a contra-mola que resiste" - Primavera nos dentes Porém, enquanto opero a esteira e alimento o sonho, também sei que todo esse movimento foi só um sonho na cabeça do menino revoltado em sua sala de aula, enquanto tudo segue como antes. E sei que o menino era eu...também.

Burocracia e Filosofia

Compartilho com os leitores do Blog de Filosofia da Unisul, o relato de um incidente que culminou na minha eliminação do processo seletivo para doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina, neste final de ano de 2017. Não se trata aqui de mera lamentação pública, mas de um caso que nos dá a pensar sobre os impasses constantes em nosso tempo entre o domínio da razão instrumental burocratizada e a dimensão do indivíduo e de sua existência.  CARTA ABERTA   À coordenação do programa de pós-graduação em Filosofia da Universidade de Santa Catarina.   Venho por meio desta manifestar minha discordância e repúdio em relação à resolução do colegiado do programa de pós-graduação em filosofia por invalidar as provas de sete candidatos (mestrado e doutorado) desclassificando-os sumariamente do processo seletivo de 2017. O fato   No dia 4/12/2017 sete candidatos ao mestrado e doutorado em filosofia foram inicialmente ...