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Da série Bons trabalhos - Estética e História da Arte

Negro Drama Felipe de Souza Silva[1]
A organização societal brasileira, malgrado ser formalmente democrática, foi historicamente arquitetada para atender a uma dupla exploração: a externa (dos “de fora” sobre os “de dentro”) e a interna (dos da elite “de cima” sobre os da massa “de baixo”). Passível de ser endossada por homens como Florestan Fernandes, essa análise não foi produzida nos gabinetes de alguma academia, mas é o retrato de um Brasil cantado que se deixa encontrar nas músicas do grupo de rap nacional Racionais MC’s, cujo álbum Sobrevivendo no Inferno passou inclusive a ser cobrado em vestibulares, como o da UNICAMP. Apesar das assimetrias econômicas e sociais brasileiras, seu fator político de acomodação é muitas vezes mascarado por sistemas simbólicos – dentre eles o musical – comprometidos com a manutenção do status quo, funcionando como instâncias de legitimação ideológica em vez de espaços abertos de emancipação. Esse tipo de “compromisso” parece não fazer parte da agen…

Da série Bons trabalhos. Este para UA de Estética e História da Arte.

O caráter dialético na relação do conceito de belo com a arte
Enrique Zielinski Marinho
É óbvia, para o senso comum, a relação entre os conceitos de belo e arte. Podemos perguntar à não-artistas e leigos em filosofia estética se uma obra de arte, para ser considerada com tal, deve ser bonita e, muito provavelmente, a resposta será um inesitante sim. Contudo, persiste o debate entre artistas, filósofos e cientistas sobre a definição do fenômeno do “belo” e qual sua relação com a arte, que iniciou na antiguidade e ainda continua controvertido e sem consenso. Um bom exemplo disto é a acalorada discussão no debate gravado em vídeo da série Diálogosimpertinentes da TV PUC de São Paulo de 1996 sobre este tema. Estão presentes neste programa, como debatedores, o filósofo e professor Celso Fernando Favaretto e o artista e ensaísta Décio Pignatari. Como mediadores, estão presentes o professor Mario Sérgio Cortella e o jornalista Caio Túlio Costa. Logo no início do programa, Favaretto (1996, 8m5…

Agora um trabalho para "Reflexões sobre o Homem na Filosofia

AH, O HUMANO! O SER HUMANO QUER SE ESBALDAR E SE ENFORCAR NA CORDA DA LIBERDADE!uma abordagem existencialista
Fernando Alves Montanari[1]
Ah, o humano! Se não fosse o humano! Se não fosse o humano o mundo natural seguiria sua sina mais pura e essencial. Sua fatalidade instintiva e própria do curso físico das coisas. A espontaneidade reinaria em todos os cantos e em todos os seres vivos (animais ou vegetais) ou inanimados. É na certeza das coisas que este mundo natural seria governado, pois: o rio seguiria, por entre terrenos e pedras, com quedas d´água sempre orientadas de cima para baixo, para desaguar em outros rios ou mares; as plantas cresceriam com arrimo na fotossíntese seguindo a seleção natural das espécies; os animais acompanhariam suas existências irrefletidas e etc..
Ah, o humano! Há o humano! No entanto, há o humano a ser acrescido nessa equação do mundo e, com isso, mormente em sua existência no século XX, evidenciou-se sobremaneira a incerteza[2], pois ele é responsável…

Mais um trablho da UA de Estética e História da Arte

O Belo na Arte de Rogério Skylab
Victor Hugo Martins, estudante de Psicologia - Unisul
Acabo de assistir um vídeo de um antigo programa da TV PUC, chamado Diálogos Impertinentes. Apresentado por Mário Sérgio Cortella, este episódio apresenta uma conversa entre o filósofo Celso Favaretto e o artista Décio Pignattari mediada por Caio Túlio Costa, os quatro participantes realizam uma discussão a respeito do Belo. Após realizar algumas anotações de falas dos participantes do programa, refletindo sobre o que discutir neste ensaio, uma das falas de Pignattari me chama a atenção:
Ninguém vive sem um pouco de brega, um pouco de kitsch, um pouco de mau-gosto. [...] Não vive porque o kitsch, o mundo industrial, produz uma enorme quantidade de detritos de toda a espécie. As formas se sucedem nos bens comuns de uma maneira vertiginosa e essas coisas vão sendo depositadas. [...] Você tem que conviver na vida diária com esses detritos de sentimentos, de ideias, de obras. Mas você tem um valor sentimen…

Como ensino filosofia # 40 - Encerrando o projeto "como ensino filosofia?"

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Enfim, cheguei ao fim desta tentativa de registrar e compartilhar meu trabalho com o ensino de filosofia no nível médio na Escola Pública!

O vídeo já diz tudo, aqui quero apenas compartilhar um sumário dos episódios e seus conteúdo, a quem possa interessar.
Como ensino filosofia?/ Sumário

Primeira temporada

#1 -Projeto "Como ensino filosofia?" / Abertura
https://filosofianaunisul.blogspot.com/2018/08/projeto-como-ensino-filosofia-abertura.html

#2 - O ensino de filosofia na escola pública de um ponto de vista privilegiado https://filosofianaunisul.blogspot.com/2018/09/2-o-ensino-de-filosofia-na-escola_6.html

#3 - Ensinamos o que aprendemos  
https://filosofianaunisul.blogspot.com/2018/09/como-ensino-filosofia-3.html

#4 - Ensinamos o que aprendemos II  
https://filosofianaunisul.blogspot.com/2018/09/como-ensino-filosofia-4.html


Segunda temporada

#5 – O “pós-grama”  
https://filosofianaunisul.blogspot.com/2018/09/como-ensino-filosofia-5.html

#6 - O Currículo I / linhas gerais
https://filo…

A atividade desenvolvida para a UA -Reflexões sobre Homem na Filosofia

A natureza humana em Hobbes e Rousseau: contraposição de elementos por meio da análise de duas obras literárias.

Fausto Barros de Sá Teles [1]

1 INTRODUÇÃO
Este ensaio tem por objetivo identificar e comparar elementos antropológicos das teorias políticas de Hobbes e Rousseau presentes em duas obras literárias: “O Senhor das Moscas”, do inglês William Golding; e “Walden, ou A Vida nos Bosques”, do norte-americano Henry D. Thoreau.
A partir da discussão de noções sobre a natureza humana explícitas e implícitas nas duas obras, e de suas relações com as teorias políticas de Hobbes e Rousseau, busca-se entender as contribuições dessas manifestações artísticas para a visão antropológica, sob o prisma da antropologia filosófica; e explorar relações entre arte, política e antropologia.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 O olhar da antropologia filosófica
De acordo com Nesi e Marques (2018, p. 10), “a Antropologia Filosófica caracteriza-se por realizar o estudo do homem por meio do método filosófico” e preocupa-…

Como ensino filosofia? # 39 - Aula sem matéria - 2o ano

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A experiência de um bimestre de aula sem matéria para o segundo ano exigiu mais fôlego, uma vez que se trata do dobro da carga horária (2 aulas por semana) em relação ao primeiro ano. Mas esse tempo extra também permite voos um pouco mais altos nas atividades propostas.

  Mantendo o ideal de “treinamento escolar”, ou seja, ver no ensino de filosofia a possibilidade de dar contribuições concretas à prática de estudar, decidi encarar de frente um problema recorrente em alunos do ensino médio: a vaga noção das fases da História. Conforme expliquei no vídeo, uma atividade inicial de confecção de um cartaz com uma linha do tempo ocupou a turma toda por três ou quatro encontros. O restante do bimestre segue com atividades mais curtas e termina com um filme. Nenhuma matéria no quadro, mas bastante coisa para se fazer em cada aula. A ideia central foi a de consolidar o entendimento das fases principais da história, em conexão com as fases do pensamento filosófico.

  O problema de propor ati…