Bom dia

  Todos nos queixamos da insensibilidade do mundo e da correria do dia a dia. Elas se fazem sentir a todo momento, no trânsito, no trabalho, nas pequenas interações do cotidiano. 










  A escola, sem dúvida, não escapa dessa regra. O sinal sonoro marcando o início e o fim de cada aula deixa bem claro e nos lembra que não há tempo para muita espontaneidade. E nesse ritmo a escola reproduz o ritmo do mundo.




 



  Mas muitas vezes nos esquecemos que a realidade não é um dado externo e independente de nós; ela está aberta, passível de ser modificada a todo momento. Ela é construída coletivamente e, portanto, sensível à nossa interação.

  Como um observador constante do ambiente escolar, notei Um detalhe curioso: Quase sem exceção, os professores, ao adentrar à escola passam pelos alunos como se não os vissem. Estes, por sua vez, tampouco esperam qualquer interação com os mestres diferente daquela que se processa no interior da sala de aula.  Em meio à animação do pátio da escola, o professor, em geral, é apenas um passante.

  Pequenas atitudes como essa, todas juntas, contribuem para a composição de um cenário cinzento; onde o brilho e a vivacidade do conhecimento são constantemente bloqueados.

Comecei, então, a distribuir "bom dias" indiscriminadamente; sobretudo aos menores e àqueles que não são meus alunos. Ao passar pelo portão de entrada, às 7:30 da manhã, está valendo:  quanto maior o número de bom dias eu conseguir dar no caminho até a sala dos professores, melhor.


Olhado inicialmente com desconfiança, e até com certo incômodo hoje começo a perceber algumas mudanças de comportamento. Neste contexto, os feedbacks são variados. Mas não raramente consigo ver nos olhos de uma criança, ou de um jovem, a surpresa e a satisfação de ter sido notado. Um minúsculo momento onde compartilhamos o fato de sermos, companheiros do mesmo mundo...

E assim o dia começa mais suave.






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