Sociedade disciplinar e sociedade de controle



As sociedades disciplinares atingiram seu apogeu no início do século XX. Em uma sociedade disciplinar o indivíduo não cessa de passar de um espaço fechado a outro, cada um com suas leis: primeiro a família, depois a escola, o exército, a fábrica e eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência.

Mas segundo Deleuse (1992, p.129), após a segunda guerra mundial as sociedades disciplinares entraram em uma crise generalizada, convertendo-se em sociedades de controle. Ao contrário das sociedades disciplinares que moldavam os indivíduos distintamente pelas instituições de confinamento, nas sociedades de controle, os indivíduos passam por um processo contínuo de modulação e são controlados por meio de senhas de acesso, câmeras, cartões, etc. São agora os procedimentos e a burocracia que nos disciplinam a agir conforme o esperado.

De fato, vivemos em uma sociedade "livre", onde ninguém nos força a nada, mas estamos todos cada vez mais sem tempo para fazer escolhas autênticas e aproveitar a vida por conta de nossas incessantes obrigações profissionais e sociais. E a escola nesse contexto?

Ora, a escola encontra-se perdida entre a ação disciplinar, já não tão enfaticamente requisitada pela sociedade de controle, e outras formas de controle gradualmente implementadas no meio escolar. Ainda que de posse de discursos pós-modernos e progressistas, a maior parte dos professores tenta, cada um a seu modo, continua tentando  manter a abordagem disciplinar na qual foram educados, sem a menor ideia de como fazer algo diferente disso com seus alunos.


A burocracia da escola, entretanto, mantém implícita a lógica do controle através da nota e da aprovação.  Em certo sentido, a educação obrigatória tornou-se um rito necessário para a formatação dos novos integrantes da sociedade.  


A este respeito, o filme Educação Proibida oferece um questionamento bastante interessante sobre as origens da escola tradicional e sua função na sociedade.






https://youtu.be/-t60Gc00Bt8










DELEUZE, G. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações, 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. p.219-226. 

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