Estudar é uma arte

Por todas as coisas que venho estudando, tem ficado muito claro o quanto o conhecimento humano é uma construção ativa do sujeito,em conexão com o meio, através de suas próprias vivências. Nesse sentido, é impressionante como uma simples lousa no ambiente de trabalho é um instrumento tão útil que pode fazer muita diferença.

Aos poucos, vão se reunindo coisas daqui e dali. Das mais diversas fontes elementos confluem para consolidar conceitos. Isso as vezes leva tempo. Ideias precisam ser (re)postas à visão.




Esquemas e anotações contribuem para que se estabeleça uma continuidade de pensamento. O esquema pode ou não fazer sentido para um observador externo; mas para o autor, são muito mais do que palavras. O ato de escrever, as ligações e a própria disposição visual dos elementos contam como referência; como ato livre de criação em torno de um conteúdo vai sedimentando um complexo de saber pessoal.

E depois de algum tempo, a lousa precisa ser apagada para novas coisas! Mas como jogar fora essa construção? É hora de transformar o esquema em palavras; um breve registro de apontamentos ajuda.

Com organização (senão não se encontra nada!), estes registros podem vir a contribuir futuramente para textos, ou para novos apontamentos.


O processo de dar um aspecto gráfico a ideias também pode ajudar a ensinar. Da mesma forma, vão se registrando conceitos centrais enquanto se expõe determinado assunto. Aos poucos, tudo começa a fazer algum sentido para os espectadores. Isso só vale para os presentes (realmente).




Assim, considerando que estudar é uma arte, uma pergunta não quer calar:  Por que não a ensinamos na escola, desde a mais tenra idade? Em outras palavras, o que queremos de nossos alunos é o pensamento autônomo, a resposta criativa, a diálogo com o conhecimento. Mas em geral não damos os subsídios para nada disso!  Quando os ensinamos a pesquisar? O exercício da interpretação de texto fica restrito a uma parte das aulas de línguas. Não costuma ser encarado como uma ferramenta importante. Quando exercitamos a interpretação não só de um texto, mas de um quadro, de uma cena de filme, de uma situação cotidiana, de uma paisagem? Quando estimulamos a escrita que não seja cópia de alguma coisa, mas uma tentativa de expressão própria?

Obviamente, todo o sistema de ensino precisa ser virado do avesso para que as coisas mudem. É preciso repensar que competências julgamos fundamentais para nossos alunos (assim fala muito bem Rubem Alves). É preciso serrar as pesadas grades curriculares e desativar as sirenes que repartem o tempo e minam nossas iniciativas. Aí sim teremos tempo para o principal: traçar juntos estratégias de ensino que levem os alunos a desenvolver competências uteis e pertinentes para o seu ser no mundo.

Mas enquanto isso não acontece, pequenos ajustes e mais atenção ao ensino da arte de estudar podem ser implementadas individualmente em nossas salas de aula, dia após dia.

Para pensar no assunto:

Considerações sobre o ato de estudar (FREIRE,1981)

http://www3.fsa.br/localuser/flavio/informatica%20e%20sociedade/paulo%20freire%20-%20ato%20de%20estudar.pdf


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