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Aprendendo com Freire

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U ma coisa que APRENDI com Paulo Freire (No sentido integral, onde real aprendizado leva a uma mudança de comportamento) e estou de algum modo conseguindo colocar em prática é o exercício de enxergar o aluno como próximo, como companheiro da aventura da aprendizagem e não como "material de trabalho". Transcender a dicotomia professor-aluno, que representa um aspecto particular de uma dicotomia mais fundamental entre sujeito e objeto, é de fato um desafio; mas que depende mais e mim, da porta da sala de aula para dentro. É algo que se pratica dia a dia, em cada fala, em cada confronto, provocação ou risada.  Uma coisa que aprendi com Paulo Freire, mas que ainda não sou capaz de colocar em prática é a proposta de uma educação onde o educando comece a tornar-se co-autor de sua própria educação. Onde o próprio aluno (oprimido) comece a tomar consciência da sua passividade frente ao sistema educacional (opressor) e da possibilidade de superação desta passividade a partir de atitud...

O "modo escola"

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F requentemente me ocorre que, em nossa sociedade contemporânea, a escola há muito tempo deixou de ser o lugar de aprender para converter-se simplesmente no lugar de formatar e moldar o sujeito para as regras do jogo. No campo teórico, essa perspectiva foi levantada inicialmente por Marx e desenvolvida por seus seguidores, como Louis Althusser, para quem a escola figurava como um "Aparelho ideológico do Estado". Entretanto, os tempos são outros e a complexidade do momento em que vivemos não se deixa apreender pelos dualismos (burguesia-proletariado; direita-esquerda) nem pelas já cansadas, mas sempre presentes, teorias da conspiração. Se a escola continua a moldar indivíduos para seus papeis sociais, ajudando a manter o status quo , isso certamente não é planejado por grandes vilões mal intencionados e seus planos diabólicos. Antes, tudo se passa de forma muito mais sutil e automática. Aula após aula, matéria após matéria, sinal após sinal...Para boa parte dos alunos, trata-s...

Sociedade disciplinar e sociedade de controle

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A s sociedades disciplinares atingiram seu apogeu no início do século XX. Em uma sociedade disciplinar o indivíduo não cessa de passar de um espaço fechado a outro, cada um com suas leis: primeiro a família, depois a escola, o exército, a fábrica e eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência. Mas segundo Deleuse (1992, p.129), após a segunda guerra mundial as sociedades disciplinares entraram em uma crise generalizada, convertendo-se em sociedades de controle. Ao contrário das sociedades disciplinares que moldavam os indivíduos distintamente pelas instituições de confinamento, nas sociedades de controle, os indivíduos passam por um processo contínuo de modulação e são controlados por meio de senhas de acesso, câmeras, cartões, etc. São agora os procedimentos e a burocracia que nos disciplinam a agir conforme o esperado. De fato, vivemos em uma sociedade "livre", onde ninguém nos força a nada, mas estamos todos cada vez mais sem tempo para fazer esc...
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REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS Hoje eu convido você a visitar ou a revisitar a entrevista  feita com Zygmunt Bauman no programa Fronteiras do Pensamento, apresentado no ano de 2011.  Bauman trata de questões muito atuais e questionadoras a respeito da democracia, da individualização da sociedade, entre outros temas.  Aproveite e boa reflexão! Abraços, Luciana

Uma crônica sobre a compreensão

U m erro muito comum ao ensinar é subestimar aquilo que o aluno não sabe. Me parece que boa parte da incompreensão em sala de aula tem origem no fato de o professor pressupor conceitos, ideias e regras que o aluno já deveria saber para estar naquela   série. E quando detectamos esses lapsos, nossa reação de surpresa, espanto e até mesmo indignação ("Mas como vc não sabe isso!!?) tende a fechar muitas portas na comunicação educador-educando. O relato do vídeo a seguir (dezembro de 2014) nos leva a pensar sobre qual o ponto de partida para uma relação realmente produtiva de conhecimento e o tempo e dedicação que isso demanda. A esse respeito venho tentando praticar uma postura de abertura e boa vontade diante de qualquer coisa que um aluno não saiba, independente de sua idade ou posição; sem juízos de valor.  "Não sabe, vamos aprender."  Infelizmente a dura rotina do sinal sonoro, das avaliações e notas não nos deixa muito tempo para brincar de aprender. Já di...

Projeto de Extensão 30 minutos de Filosofia

Os (as) Acadêmicos (as) do Curso de Filosofia da Unisul podem participar do Projeto de Extensão "30 minutos de Filosofia", do Campus Unisul Virtual, da Unisul, acessando o link: http://www.unisul.br/wps/portal/home/extensao/projetos-e-bolsas-de-extensao/campus-unisul-virtual É uma oportunidade de aproximar os conteúdos e reflexões filosóficas das pessoas, grupos, entidades, ONGs, escolas formais e informais, associações culturais, esportivas, comunitárias, ambientes empresarias e organizacionais, instituições e demais ambiente que realizam os objetivos da educação. Você realizará uma experiência de extensão universitária, acrescentando esta importante e diferencial dimensão social e comunitária no seu currículo formativo. Confira, no link acima. Prof. Marciel Evangelista Cataneo, Coordenador do Curso de Filosofia.

Revolução no papel

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Quando comecei a estudar com mais calma documentos oficiais sobre a educação, como os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) e versões anteriores da Proposta Curricular de Santa Catarina (1998), fiquei bastante surpreso. Em termos de concepção teórica, temos ali perspectivas bastante avançadas sobre educação. Não se pode dizer, neste sentido teórico (do que está no papel), que o ensino estadual sustenta uma postura retrógrada. Por exemplo:    Há, portanto, uma relação do conhecimento considerado mais legítimo em cada tempo, com o poder. Assim, quanto mais esse conhecimento estiver concentrado nas mãos de poucos, maior é a possibilidade de esses poucos controlarem pacificamente a maioria; quanto mais, porém, esse conhecimento for socializado, maior a possibilidade de conquista ou do controle do poder pela maioria. Gramsci (1989) chama atenção para a necessidade de as camadas populares terem acesso ao conhecimento próprio da camada dominante da sociedade para se tornare...